domingo, 13 de março de 2011

Doze anos de Matrix e a cultura da convergência

A convergência de mídias propiciará uma nova forma de participação política?


O termo costuma ser evocado como referência à reunião de vários tipos de conteúdos num mesmo suporte. Como exemplo, pensem nos celulares, que se transformaram numa maquininha maravilhosa que tem web, vídeo, música, Excel, Word, fotos, joguinhos etc. E que até servem para falar com alguém.
Mas será que a convergência de mídias é isso mesmo?
Henry Jenkins em seu livro a Cultura da Convergência ressalta que a convergência de mídias não ocorre nas máquinas, na tecnologia, mas sim “nos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com os outros”. Ou seja, devemos enxergar a convergência a partir da relação cruzada – e interconectada – que as pessoas passam a ter com as mídias.
É nesse sentido que se aplica a afirmação de Jenkins de que o consumo se tornou um processo coletivo – o autor aproxima a ideia de convergência de mídias à de inteligência coletiva desenvolvida por Pierre Lévy. “A inteligência coletiva pode ser um fonte alternativa de poder midiático. Estamos aprendendo a usar esse poder em nossas interações diárias dentro da cultura da convergência”, escreve.
Como resultado do desenvolvimento da cultura da convergência nasce a narrativa transmidiática. “A narrativa transmidiática refere-se a uma nova estética que surgiu em resposta à convergência de mídias – uma estética que faz novas exigências aos consumidores e depende da participação ativa das comunidades de conhecimento. A narrativa transmidiática é a arte da criação de um universo”.

Um dos símbolos da narrativa transmidiática é Matrix, classificado pelo autor como o “filme cult emblemático da cultura da convergência.” 

Escreve Jenkins que, no contexto da convergência,
para viver uma experiência plena num universo ficcional, os consumidores devem assumir o papel de caçadores e coletores, perseguindo pedaços da história pelos diferentes canais, comparando suas observações com a de outros fãs, em grupos de discussão on-line, e colaborando para assegurar que todos os que investiram tempo e energia tenham uma experiência de rica. Alguns escreveram que os irmãos Wachowiski, que escreveram e dirigiram os filmes de Matrix, forçaram a narrativa transmidiática além do ponto que a maioria do público estava preparada para ir.”
Em outros termos, cria-se um universo ficcional, interconectado em diferentes canais de comunicação, cujo sentido só é plenamente depreendido quando o conteúdo é experimentado em todo o seu conjunto.


Ficha Técnica

Título original: The Matrix
Gênero: Ficção Científica
Duração: 2 hr 16 min
Ano de lançamento: 1999

Obs: Este texto foi postado originalmente sob a licença Creative Commons com algumas alterações no Ponto de Fuga.

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